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O Jogo Do Anjo

15 jan

O Jogo Do Anjo

Carlos Ruíz Zafón

O Jogo do Anjo, publicado no Brasil pela editora Suma de Letras, narra a história de David Martíns, um escritor fracassado que trabalha em um jornal de Barcelona nos 30.

A narrativa tem início quando o escritor é despedido do jornal e entra em uma sociedade com uma dupla de editores vigaristas que se aproveitam do sucesso de seu romance de mistério publicado mensalmente em forma de folhetim. Ao mesmo tempo, David se muda para a casa ta torre, uma grande residência sombria e cheia de segredos no centro de Barcelona e passa a receber cartas de um editor de Paris com tentadora proposta de emprego.

Cansado de ser explorado e incentivado por um diagnóstico de uma doença terminal, David resolve procurar o editor de Paris em busca de um último trabalho que o satisfaça. Tal personagem, chamado Andreas Corelli, apresenta-se como um homem misterioso, de sorriso fácil, mas olhos sombrios que nunca piscam.  Convencido que Andreas resolverá o problema de quebra de contrato com os antigos editores David começa o projeto de um livro que visa criação de uma nova religião.

David acorda no dia seguinte se sentindo misteriosamente curado dos sintomas que lhe afligiam, ao mesmo tempo passa a ser suspeito do inesperado incêndio que destruiu a editora e a dupla para a qual trabalhava.

A partir de então, David envereda-se em uma série de eventos sombrios que envolvem desde a descoberta da real causa da morte de seu pai, passando ao encontro de um livro tenebroso escrito na casa da Torre e culminando numa investigação do passado do antigo dono da casa e o assassinato de todas as pessoas relacionadas a ele.

O Jogo do Anjo é um livro que dificilmente consegue-se definir um gênero, não somente esta obra, mas também todas as outras do autor. Este é uma mescla de suspense psicológico, romance, drama, fantasia e terror.

O livro é escrito lindamente, suas descrições de uma Barcelona antiga beiram o limiar da poesia e o uso frequente de metáforas e demais figuras de linguagem transformam o cenário dessa história em algo praticamente tangível e facilmente imaginável. Seus personagens possuem características únicas como a doce Isabela ou patriarca Sr Sempere, além do Cemitério dos Livros Esquecidos ou a livraria Sempere e Filhos que despertam tantas emoções e carinho quanto os personagens humanos.

A única coisa que me incomoda são as perguntas que ficam no final. Entende-se que o autor brinca com o leitor deixando em suas mãos a decisão de rotular essa história como uma narrativa fantástica ou os relatos de uma mente perturbada, porém, perguntas sem respostas permanecem seja qual for a conclusão que cheguemos.

Sem dúvida, um dos meus autores preferidos. A pesar de achar que o Jogo do Anjo poderia ter sido mais bem amarrado, Carlos Ruíz Zafón conquista com a escrita poética, a trama criativa, os personagens palpáveis e a brilhante maneira de ir paulatinamente soltando informações e desvendando o mistério de forma que somos surpreendidos a cada virar de páginas.

 
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Publicado por em 15 de janeiro de 2013 em Resenha

 

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