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Trilogia Jogos Vorazes

15 jan

Trilogia jogos vorazes

A trilogia Jogos Vorazes é formada por Jogos Vorazes, Em Chamas e A Esperança, publicados no Brasil pela editora Rocco. Os livros contam a história do mundo pós-apocalíptico. Uma área de terra é disputada entre os sobreviventes dando origem à Panem: região formada por treze distritos e a capital que é responsável pelo controle de forma rígida e déspota dos distritos cujo grau de pobreza e abandono cresce paralelamente ao número que os denomina.

Em protesto à situação a qual são submetidos, o distrito 13 se organiza em um levante contra a capital, porém é completamente subjugado e é destruído. Tal evento é conhecido a partir de então como os Dias Escuros, os quais são anualmente lembrados na forma dos Jogos Vorazes como meio de lembrar aos demais a superioridade e poder da capital.

Este evento é realizado como uma espécie de reality show. Um casal de jovens entre doze e dezoito anos são sorteados em cada distrito e são jogados em uma arena previamente construída e elaborada para se digladiarem até sobrar apenas um vencedor que passa a ter uma vida de benefícios concedidos pela capital.

Na minha opinião, a trilogia possui um ritmo bom, uma história bem criativa e bem amarrada. Com toda a certeza a autora consegue transmitir as emoções dos personagens para o leitor que sente e entende os diferentes sentimentos que são explorados no desenrolar dos livros.

Suas historias não possuem desfechos previsíveis, sempre contendo algo inesperado até o final do último livro no qual eu fiquei pensando “faltam menos de 10 páginas, como é que ela vai conseguir arrumar essa bagunça?”, mas ela consegue, e termina de uma maneira que, aposto, dificilmente passou pela cabeça de algum dos leitores, mas que, para mim, foi totalmente correto, uma vez que um final “cor-de-rosa”, feliz e totalmente meloso, como poderia ter saído na mão de algum outro autor, não faria sentido depois de tudo pelo que seus personagens passaram.

Além da ficção, é facilmente lido nas entrelinhas a crítica da sociedade em que vivemos. Muitas vezes feito de modo hiperbólico, mas que deixa claro suas alfinetadas à total discrepância das classes sociais, segregação, impunidade dos mais poderosos, miséria, dentre outras realidades testemunhadas nos nossos dias.

Algo que também me agradou muito foi o fato de a autora não ficar muito detida no triangulo amoroso. O Holofote principal da narrativa não foi dirigido ao romance, algo facilmente encontrado em muitos livros atualmente a ponto de ficar algo meloso de mais, porém soube equilibra-lo de forma a contribuir com o drama da narrativa dando ênfase ao lado mais tenso e obscuro da história.

Alguns trechos dos livros lembraram-me minhas aulas sobre Roma nos quais ela claramente faz referências à costumes dessa antiga sociedade, em determinado momento o faz até de modo direto, os quais podemos citar a política do pão e circo, a comparação clara da arena dos Jogos Vorazes com o Coliseu e até mesmo ao vomitódromo, antiga sala romana onde a alta sociedade ia vomitar a fim de poder continuar aproveitando dos banquetes enquanto o restante da população morria na miséria.

Um ponto negativo dessa série é o modo de descrição de algumas cenas, geralmente as mais intensas e de ação, que é feita de forma confusa impedindo o leitor de conseguir imaginar de maneira clara o que está acontecendo. Porém, como não tive a oportunidade de ler o livro em seu idioma original, talvez não possa responsabilizar a autora por isso, mas sim a editora Rocco e o tradutor, Alexandre D’Elia, que em determinados trechos demonstram claramente a total falta de revisão, com erros de ortografia e concordância e repetição de palavras, chegando ao ponto de deixar frases com sentido confuso.

Outra questão que me incomodou um pouco foram as áreas mortas dos livros, trechos em que não acontecem muitas coisas e ficam presos em uma mesmice que não contribui para o corpo total da história, algo muito perceptível na primeira metade do último livro.

De modo geral é uma série muito boa. Conseguiu me tocar, de modo que a todo o momento, eu gritava de indignação, comemorava, ria e até me arrancou algumas lágrimas. Uma série que com certeza vale a pena ser lida.

 
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Publicado por em 15 de janeiro de 2013 em Resenha

 

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