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Fórum Literário Entre Pontos e Vírgulas – As irmãs Makioka

26 jan

As irmãs Makioka

Jun’ichiro Tanizaki foi o primeiro autor japonês eleito membro honorário da American Academy and Institute of Arts and Letters e foi o autor do romance As Irmãs Makioka. O livro tem como plano de fundo o Japão do Século XX, que está sob o peso da Guerra e sofrendo grandes influências da cultura ocidental.
O livro discorre, e se arrasta, por 741 páginas de descrição do cotidiano de uma antiga e importante família japonesa dessa época. Apresenta-nos os choques culturais ocidental e oriental personificados nas personagens principais do livro que são as quatro irmãs Makioka: a mais nova, Taeko, representando a parte ocidentalizada da família, Yukiko, cuja historia é o gancho principal do enredo; Sachiko, segunda irmã e responsável pela casa secundária e Tsuruko, irmã mais velha, responsável pela principal casa dos Makioka e exemplifica a mulher japonesa tradicional.
A história nos permite conhecer a fascinante cultura japonesa, como os casamentos arranjados, a arquitetura, pinta cenários belíssimos das cerejeiras em flor, apesar de não deixar claro um plano de fundo de época, nos faz conhecer expressões artísticas como músicos, pintores, teatro kabuki etc. Além de apresentar personagens bem delimitados e com características individuais claras. Porém, os pontos positivos acabam ai…
Apesar de possuir uma narrativa tranquila e de fácil leitura, no desenrolar da história percebe-se que o autor se faz muito repetitivo, o tempo todo é retomada a história dos miai de Yukiko, que são ao todo aproximadamente 4. É perceptível também uma escassez de diálogos em detrimento de narração que acaba tornando o narrador, que não sabemos se é oniciente ou em primeira pessoa, um personagem tão presente quanto qualquer outro.

“Por isso, um toca-discos ligado naquele aposento por certo aborreceria o já irritadiço suíço. Aproveito a ocasião para discorrer um pouco mais osbre o senhor Bosch”(pág 424)

Outro ponto que pode incomodar o leitor é a forma excessivamente rápida que as cinquenta últimas páginas do romance são contadas. O narrador toma pra si total controle do livro e a história passa em nossa mente como se fosse um filme mudo e acelerado culminando num final totalmente inconclusivo que não difere em nada do final de qualquer outro capítulo:

“A diarreia não cessou naquele dia e continuou mesmo depois de Yukiko entrar no trem”(pág 741)

Antes de condenar o livro como apenas um amontoado de acontecimentos, é preciso levar em consideração que é exatamente esse o objetivo do texto: apresentar o cotidiano de uma família tradicional japonesa do século XX. Você não vai gostar de terror se o que você procurava era um romance, porém isso não fará daquela uma história ruim.

          Essas são as minhas impressões sobre o livro e adoraria saber a opinião dos outros leitores, sempre lembrando a importância de respeitar todas as opiniões. Vamos conversar!

 
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Publicado por em 26 de janeiro de 2013 em Sem categoria

 

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