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FÓRUM LITERÁRIO ENTRE PONTOS E VÍRGULAS: LARANJA MECÂNICA

25 fev

Anthony Burguess

          Em Laranja Mecânica o leitor vê-se imerso em um mundo caracterizado pela violência extrema. A história é contada pelo personagem principal, Alex, de apenas 15 anos de idade, que inicia a história apresentando-nos atos de violência praticados por ele e o resto de sua gangue. A história muda quando Alex é preso e, a fim de minimizar sua pena, aceita ser cobaia de um novo tratamento que promete erradicar a violência do homem em apenas 15 dias.

          Não indicado para pessoas de estômago fraco, Laranja Mecânica faz-nos encarar cenas realmente pesadas. Lançado pela primeira vez em 1972, Anthony Burgess visava retratar uma sociedade futurista caracterizada pela extrema violência, porém, Laranja Mecânica não causa tanto estranhamento nos dias atuais, pois, assim como dito pelo autor do prefácio do livro Fábio Fernandes, infelizmente observamos casos de violência como as do livro todos os dias nos jornais tornando-o muito mais palpável e real.

          Apesar da violência, Alex, muito inteligentemente, ganha a afeição do leitor. A todo o momento percebe-se uma manipulação do personagem principal que frequentemente fala diretamente com o leitor chamando-o de único amigo e referindo a si mesmo como humilde narrador, o que faz com que acabamos nos identificando com ele apesar de ser, afinal de contas, uma pessoa extremamente violenta.

           Outro ponto característico do romance é o vocabulário nadsat. Tentando criar um linguajar característico para sua gangue que fosse atemporal, Busgess cria uma série de gírias formada pela junção de palavras de diferentes idiomas causando no leitor grande estranhamento. Porém, por terem sido construídas com línguas totalmente diferentes do português, as gírias nadsat causam uma impressão errada, mesmo após a tradução para a nossa língua, podendo não soar como gírias, mas sim como palavras escritas de forma errada. Tal problema talvez não ocorra nas edições em inglês por não destoarem tanto da língua original.

         Laranja Mecânica é um livro inteligente, possui uma história diferente, original e muito bem escrita. Não apenas uma compilação de cenas de violência, o livro também levanta assuntos referentes a corrupção política, Burguess aparentemente teve sucesso prevendo o futuro, e uma análise interessantíssima sobre o que realmente caracteriza um ser humano. Totalmente Recomendado.

E O FILME??

 

          Laranja Mecânica (A Clockwork Orange) é um filme britânico dirigido por Stanley kubrick e estrelado por Malcolm McDowell que interpreta Alex, o protagonista. Laranja Mecânica tornou-se um clássico do cinema mundial e um dos filmes mais famosos e influentes de Kubrick. O orçamento total do filme foi de apenas 2,2 milhões de dólares

          Partindo para uma análise pessoal, o filme não fez jus ao livro. Sendo um leitor que adora livros e suas adaptações cinematográficas já tenho em mente que o filme do cinema NUNCA será igual ao criado na minha mente. Porém Laranja Mecânica foi uma das adaptações que menos gostei.

          Os figurinos e cenários utilizados no filme tiraram a seriedade da história, pois me fizeram lembrar muito o filme infantil O Gato. Nos dois casos foi usado cores fortes e brilhantes que, apesar de nas descrições do livro me remeterem a um cenário estranho e bizarro, no filme o resultado foi de mal gosto e exagero, resultando numa semelhança com programas infantis ruins.

          Outros aspectos a serem comentados são os atores e a trilha sonora. Quanto aos atores, nenhum deles fez um bom trabalho. O resultado geral foi uma interpretação forçada, falas ditas de forma exagerada dando um aspecto final muito semelhante às antigas comédias “pastelão”. Com relação à trilha sonora podemos dizer que, apesar de apresentar muito bem a música clássica como elemento importante assim como foi no livro, muitas vezes a escolha da música não combinava com a cena tirando a seriedade da situação.

        Para finalizar, comentemos o final. Não consigo imaginar um final melhor para o livro, porém o filme acabou antes de chegar no final criado pelo autor tirando toda a moral e a reflexão do final original.

         Ou seja: LEIAM O LIVRO! ;D Mas lembrem-se! Essa é uma opinião pessoal, assistam, leiam e depois venham me contar quais foram as suas conclusões! ;D

 
4 Comentários

Publicado por em 25 de fevereiro de 2013 em Sem categoria

 

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4 Respostas para “FÓRUM LITERÁRIO ENTRE PONTOS E VÍRGULAS: LARANJA MECÂNICA

  1. Epitácio Carvalho

    27 de fevereiro de 2013 at 14:17

    Maravilha, Dener. Li sua resenha mars limitei muito a visualização do seu vídeo por conta dos spoilers, sobre os quais vc nos alertou. Isso porque não conheço ainda o livro nem o filme, pretendo ler e ver os dois. A história parece bem interessante. Vc falou das cenas fortes de violência. Eu até que curto o tipo de livro que nos tira do eixo, que assombra e impacta. Se bem que ultimamente peguei o livro “As Esganadas” do Jô Soares, e simplesmente abandonei o livro porque fiquei enojado com os crimes perversos do assassino. É claro que em algum momento pretendo terminá-lo. Mas fiquei bem curioso pra ler o “Laranja Mecânica”. Valeu por mais uma resenha, Dener. Ah, na parte que vi do vídeo, adorei a música de fundo “Cantando na chuva”, também da musica de abertura. Grande abraço, Dener!!!

     
    • denerb

      27 de fevereiro de 2013 at 14:38

      Adoraria se você fizesse algum tipo de resenha do livro do Jô. Sempre tive vontade de ler As Esganadas, mas não sabia o que esperar dele. Não imaginava que seria tão violento como você disse…

       
  2. Epitácio Carvalho

    27 de fevereiro de 2013 at 18:34

    Dener, apesar de eu ser muito fã da pessoa do Jô Soares, confesso que o seu livro não me agradou muito. Como abandonei a leitura, farei aqui neste espaço uma micro e superficial sinopse. Na verdade, o livro não é lá muito violento não, tem até um toque de humor. Claro, é um livro do Jô, não podia ser diferente. Mas a maneira com que o assassino praticca os crimes provoca certa nausea. Eu comecei a ler no final do ano, já no clima de natal e acho que fiquei com o coração mais leve, querendo leitura igualmente leve, e por isso talvez tenha sido injusto com “As Esganadas”. Bom, o livro, 259 págs, ed. Comp. das Letras. Narrado em 3ª pessoa, se passa no ano de 1938. Típico romance policial. Só que o narrador revela o serial killer logo de cara (Caronte). As vítimas desse assassino são mulheres gordas, jovens e bonitas. São as únicas “exigências” do serial, não importa classe social ou qualquer outra coisa. O mais irônico de tudo é que o monstro é o dono da melhor funerário da cidade (Rio de Janeiro) e,portanto, é ele mesmo quem prepara o funeral de suas vítimas, fato que faz despistar ainda mais as suspeitas sobre ele. O delegado (Melo Noronha) dispõe do investigador português Tobias Esteves e do inspetor Valdir Calixto. Todos esses personagens são bem cômicos. O que não gostei no livro foi a insistência do Jô em introduzir no enredo muitos fatos históricos. O livro é isso mesmo: ficção se entrelaçando com a realidade, só que acho que ele pesou a mão neste aspecto, pois no momento em que o leitor está entretido com a trama, lá vem os fatos históricos fazendo “brochar” toda a leitura. Bom, Dener, apesar disso eu acho que o livro não é ruim e vale muito a pena ser lido. Quanto a violência está nas formas inimagináveis de matar uma pessoa, o Caronte o faz com requintes de crueldade que realmente me enojaram. Bom, realmente o clima de Natal é que me fez debandar da leitura rsrsrsrsrs Desculpe o texto atropelado, é que faz um tempinho que iniciei a leitura e fui dizendo o que lembrei, superficialmente.

     

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