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O SOL É PARA TODOS

20 abr

Harper Lee

Primeiro e único livro da autora, O Sol é Para Todos foi lançado inicialmente em 11 de julho de 1960 e, no ano posterior, ganhou o prêmio Pulitzer devido á sua escrita e abordagem do tema da segregação racial nos Estados Unidos.

O livro de Harper Lee é considerado um clássico e está para os norte-americanos assim como Dom Casmurro está para o Brasil. Nas escolas de lá, O Sol é Para Todos é leitura obrigatória nas escolas e por isso é muito comum encontrar referências a esse livro em várias outras obras, sejam elas literárias, como em As Vantagens de Ser Invisível e Um Dia; sejam cinematográficas, como no filme Professora sem Classe (que não recomendo a ninguém, diga-se de passagem) uma vez que em todas essas obras narram eventos que se passam naquela região.

O livro se passa em uma interiorana e pacata cidadezinha do Alabama e nos apresenta a vida de Scout, Jem e Atticus, família branca e popular da região. A história inicia com a apresentação do cotidiano das crianças, ambas com idades em torno de 10 anos, suas brincadeiras, a convivência com os outros moradores da cidade e a relação com um vizinho misterioso. O gancho principal da narrativa se dá com início de um julgamento em que Atticus, que é advogado, é selecionado para atuar na defesa de um negro acusado de estuprar uma moça branca. Devido a isso, Atticus, branco e popular na cidade, passa a ser alvo de preconceitos gerando muito rebuliço entre a população.

Por ser narrado em primeira pessoa por Scout, o livro possui uma narrativa leve e vocabulário simples, ao mesmo tempo em que, apesar de não possuir um ritmo acelerado, o livro mantém uma velocidade constante que consegue manter a atenção do leitor de forma prazerosa garantindo uma leitura fácil.

Os questionamento e análise desse período da história também são pontos de grande atração na obra. De forma simples e clara a autora consegue explorar os sentimentos do leitor com relação a este momento sombrio fazendo uso de vários trechos que nos permitem a reflexão:

“(Refiro-me) Ao punhado de pessoas dessa cidade que acha que a justiça não é privilégio dos brancos, ao punhado de pessoas que acha que todos merecem um julgamento justo; ao punhado de pessoas que tem suficiente humildade para pensar ao ver um negro: “Poderia ser eu, não fosse pela bondade divina (…)” Ao punhado de pessoas com boa formação, eis a quem eu me refiro.”

Outro ponto muito interessante é que vemos todo esse plano de fundo sério e pesado, que foi a segregação racial, através de olhos inocentes que nem sempre sabem o que está acontecendo. Assim como no livro O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne, em O Sol é Para Todos faz-se necessário a interpretação do leitor sobre os acontecimentos vistos pelos olhos de Scout. O seu desconhecimento da real situação nos proporciona um ponto de vista totalmente inusitado e, em alguns casos, emocionante.

Em contrapartida, o livro, que possui 316 páginas, poderia ser resumido pela metade. O início da obra, que relata a relação das crianças com o vizinho misterioso, passa a sensação de despropósito. A pesar de no final ficar claro qual foi o objetivo da autora eu, ainda assim, considerei desnecessário e vago, uma vez que houve uma introdução de 150 páginas para recebermos uma explicação de apenas uma, tendo como único objetivo, a meu ver, ampliar a abrangência da mensagem que o livro deixa.

Outro ponto que me incomodou foram os personagens. Por abranger uma cidade inteira existe uma grande variedade de personagens, porém, acredito que a autora não os explorou muito bem os deixando muito vagos e não consegui imaginá-los de forma muito clara. Apenas os cinco personagens principais; Atticus (o pai), Jem (o irmão mais velho), Scout (a narradora), Dill (o amigo) e Calpurnia (a negra que trabalha na casa), conseguem se fazer um pouco mais palpáveis, uma vez que o restante dos personagens não conseguem se sobressair. Talvez essa descaracterização dos outros personagens tenha sido feita de forma proposital, com o objetivo de demonstrar a familiaridade, semelhança e proximidade entre todos os moradores da cidadezinha, mas, seja como for, isso me incomodou. Em contrapartido, Atticus entrou para minha lista de personagens literários favoritos!

Para finalizar, posso dizer que o livro é muito bom e recomento para qualquer um que se sinta atraído por esse tipo de temática. Fui agradavelmente surpreendido, pois, depois de tantas referências e citações sobre esse livro, esperava por uma obra mais densa, pesada e crua, talvez teria gostado mais do livro se tivesse sido esse o caso, mas ainda assim a forma simples e pura como o tema foi abordado foi muito bem desenvolvida. Dou três estrelas para o livro e a recomendação à todos.

 
2 Comentários

Publicado por em 20 de abril de 2013 em Sem categoria

 

2 Respostas para “O SOL É PARA TODOS

  1. Epitácio Carvalho

    22 de abril de 2013 at 20:40

    Maravilha, Dener! Já me falaram bastante desse livro. Parece muito interessante. Adorei a capa! Ah, permita-me dizer que sua resenha escrita é muito mais fluente do que as resenhas dos graduandos em Letras que conheço. Mas não há novidade nisso: todo bom leitor é também bom escritor. Grande abraço!!!

     
    • denerb

      22 de abril de 2013 at 21:28

      lol!! Sempre bate preguiça na hora de fazer a resenha escrita, mas depois que começo eu acho gostoso… Gosto de resenhar por aqui também! Obrigado pelo comentário!

       

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